MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 29. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. (Coleção temas sociais).

RESENHA: MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 29. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. (Coleção temas sociais).

Resenhado por Sale Mário Gaudêncio

APRESENTAÇÃO

Apresenta-se a 29ª edição do livro Pesquisa Social, ressaltando que teoria, método e criatividade, são integrantes que se bem combinados, produzem conhecimentos e dão continuidade à tarefa dinâmica de descobrir as entranhas do mundo e da sociedade. A primeira parte é mais teórica e abstrata. A segunda parte é mais técnica: ela ensina como fazer. Mostra-se ainda um adendo, por meio do capítulo cinco, tratando das observações do resenhista.

CAPÍTULO 1: O DESAFIO DA PESQUISA

Maria Cecília de Souza Minayo

1 CIÊNCIA E CIENTIFICIDADE

Na sociedade ocidental, no entanto, a ciência é a forma hegemônica de construção da realidade, considerada por muitos críticos como um novo mito, por sua pretensão de único promotor e critério de verdade. No entanto, continuamos a fazer perguntas e a buscar soluções.

O campo científico apesar de sua normatividade é permeado por conflitos e contradições. Por isso Paul de Bruyne et al. (1995) advogam que a ideia da cientificidade comporta, ao mesmo tempo, um polo de unidade e um polo de diversidade.

Mostra que a interrogação enorme em torno da cientificidade das ciências sociais se desdobra em várias. A cientificidade, portanto, tem que ser pensada como uma ideia reguladora de alta abstração e não como sinônimo de modelos e normas a serem seguidos.

O nível de consciência histórica das Ciências Sociais está referido ao nível de consciência histórica da sociedade de seu tempo, embora essas criações humanas não se confundam. Nas ciências sociais existe uma identidade entre sujeito e objeto.

Outro aspecto distintivo das Ciências Sociais é o fato de que ela é intrínseca e extrinsecamente ideológica.

Por fim, é preciso afirmar que o objeto das Ciências Sociais é essencialmente qualitativo. A realidade social é a cena e o seio do dinamismo da vida individual e coletiva com toda a riqueza de significados dela transbordante. As Ciências Sociais possuem instrumentos e teorias capazes de fazer uma aproximação da suntuosidade da existência dos seres humanos em sociedade.

2 CONCEITO DE METODOLOGIA DE PESQUISA

A metodologia inclui simultaneamente a teoria da abordagem (o método), os instrumentos de operacionalização do conhecimento (as técnicas) e a criatividade do pesquisador (sua experiência, sua capacidade pessoal e sua sensibilidade).

A metodologia é muito mais que técnicas. Ela inclui as concepções teóricas da abordagem, articulando-se com a teoria, com a realidade empírica e com os pensamentos sobre a realidade. No entanto, nada substitui, a criatividade do pesquisador.

Para Kuhn (1978), o progresso da ciência se faz pela quebra dos paradigmas, pela colocação em discussão das teorias e dos métodos, acontecendo assim uma verdadeira revolução.

Desta forma, esta dinâmica está intimamente relaciona a forma como se trabalha com a Pesquisa, o jeito como são concebidas as Teorias, a maneira como são percebidas as Proposições e a prática que desenvolvidos os Conceitos.

3 PESQUISA QUALITATIVA

A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se ocupa, nas Ciências Sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes.  Esse conjunto de fenômenos humanos é entendido aqui como parte da realidade social, pois o ser humano se distingue não só por agir, mas pensar sobre o que faz e por interpretar suas ações dentro e a partir da realidade vivida e partilha com seus semelhantes. Desta forma, a diferença entre abordagem quantitativa e qualitativa da realidade social é de natureza e não de escala hierárquica.

Assim sendo, são apresentadas algumas abordagens metodológicas: a) Positivismo; b) Objetividade; c) Compreensivismo; d) Marxismo.

4 CICLO DA PESQUISA QUALITATIVA

A pesquisa é um trabalho artesanal que não prescinde da criatividade, realiza-se fundamentalmente por uma linguagem baseada em conceitos, proposições, hipóteses, métodos, e técnicas, linguagem esta que se constrói com um ritmo próprio e particular.

O processo de trabalho científico em pesquisa qualitativa divide-se em três etapas: (1) fase exploratória; (2) trabalho de campo; (3) análise e tratamento do material empírico e documental.

Portanto, o ciclo da pesquisa não se fecha, pois toda pesquisa produz conhecimento e gera indagações novas. Mas a ideia do ciclo se solidifica não em etapas estanques, mas em planos que se complementam.

CAPÍTULO 2: O PROJETO DE PESQUISA COMO EXERCÍCIO CIENTÍFICO E ARTESANATO INTELECTUAL

Suely Ferreira Deslandes

1 INTRODUÇÃO

Um projeto de pesquisa constitui a síntese de múltiplos esforços intelectuais que se contrapõem e se complementam: de abstração teórico-conceitual e de conexão com a realidade empírica, de exaustividade e síntese, de inclusões e recortes, e, sobretudo, de rigor e criatividade.

O projeto é um artefato. Artefato porque tanto é fruto de uma mão de obra humana, intencionalmente criado, quanto no sentido de ser resultado do uso de métodos particulares em pesquisa (FGV, 1987).

2 DIMENSÕES DE UM PROJETO DE PESQUISA

Quando é escrito um projeto, se estar definindo uma cartografia de escolhas para abordar a realidade (o que pesquisar, como, por que, por quanto tempo etc.). Isso porque o projeto científico trabalha com um objeto construído e não com o objeto percebido, nem com o objeto real (BRUYNE; HERMAN; SCHOUTHEETE, 1977).

Ao elaborar um projeto científico, o pesquisador estar lidando, ao mesmo tempo, com pelo menos três dimensões importantes que estão interligadas: dimensão técnica, dimensão ideológica e dimensão científica.

3 OS PROPÓSITOS E A TRAJETÓRIA DE ELABORAÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISA

Um projeto de pesquisa é feito, sobretudo, para esclarecer a nós mesmos qual a questão que estamos propondo investigar, as definições teóricas de suporte e as estratégias do estudo que utilizaremos. O projeto também ajuda a mapear um caminho a ser seguido durante a investigação. É através deste, que outros especialistas poderão tecer comentários e críticas, contribuindo para um melhor encaminhamento da investigação. O projeto é também um pré-requisito para obter financiamento.

Ao apresentar um projeto, o pesquisador assume uma responsabilidade pública com a realização do que foi prometido. A pesquisa é uma prática dinâmica, contudo, caso o pesquisador realize alterações, o mesmo, precisará esclarecer e justificar as modificações daquilo que foi preconizado inicialmente.

O projeto de pesquisa é o desfecho de várias ações e esforços do pesquisador marcado por atividades e atitudes onde são observados: 1) Pesquisa; 2) Articulação criativa; 3) Humildade; Condição histórica.

Observa-se também a fase exploratória. Esta compreende várias fases da construção de uma trajetória de investigação, tais como: a) escolha do tópico de investigação; b) delimitação do objeto; definição dos objetos; d) construção do marco teórico conceitual; e) seleção dos instrumentos de construção/ coleta de dados; f) exploração de campo.

4 OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DE UM PROJETO DE PESQUISA

O projeto de pesquisa deve, responder as seguintes perguntas: o que pesquisar? (definição do problema, hipóteses, base teórica e conceitual); para que pesquisar? (propósitos de estudo, seus objetivos); por que pesquisar? (justificativa da escolha do problema); como pesquisar? (metodologia); por quanto tempo pesquisar? (cronograma de execução); com que recursos (orçamento); a partir de quais fontes? (citações e referências).

5 QUESTÕES ÉTICAS DO PROJETO DE PESQUISA

O projeto de pesquisa tem em sua redação compromissos em não ferir a ética da elaboração de textos científicos. Um dos comportamentos antiéticos mais comuns é a prática de plágio. Outra é a fraude.

Além da elaboração do texto em si o projeto da pesquisa que virá a ser realizada também deve ter a preocupação de não causar malefícios aos sujeitos envolvidos no estudo, preservando sua autonomia em participar ou não do estudo e garantindo seu anonimato.

6 A APRESENTAÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISA

A forma de apresentação pode variar muito. Vários institutos de pesquisa, de ensino e de fomento adotam apresentação padronizada segundo modelos próprios. Entretanto, é proposto um modelo operacional, inspirado nas regras da ABNT, onde são apresentados: a) Elementos pré-textuais (os elementos pré-textuais são compostos por: capa, página de rosto, sumário, lista de ilustrações e lista de símbolos e abreviaturas); Elementos textuais (os elementos textuais devem informar: apresentação do tema, problema, hipótese, objetivos, justificativas, quadro teórico, metodologia e orçamento); Elementos pós-textuais (são compostas por referências bibliográficas, anexos e apêndices).

Recomendações

A redação deve ser clara e objetiva. Recomenda-se ainda que não se deva misturar os tempos de verbo nem os pronomes pessoais. Deve-se empregar o tempo verbal no futuro, uma vez que o projeto indicará uma intenção de pesquisa ainda a ser realizada.

O projeto é um instrumento de comunicação entre as intenções do pesquisador e seus interlocutores.

CAPÍTULO 3: TRABALHO DE CAMPO: CONTEXTO DE OBSERVAÇÃO, INTERAÇÃO E DESCOBERTA

Maria Cecília de Souza Minayo

1 INTRODUÇÃO

O trabalho de campo permite a aproximação do pesquisador da realidade sobre a qual formulou uma pergunta, mas também estabelecer uma interação com os “atores” que conformam a realidade e, assim, constrói um conhecimento empírico importantíssimo para quem faz pesquisa social.

Nesse contexto, os sujeitos/objetos de investigação são construídos teoricamente enquanto componentes do objeto de estudo.

Embora hajam muitas formas e técnicas de realizar o trabalho de campo, dois são os instrumentos principais desse tipo de trabalho: a observação e a entrevista.

Por isso que na pesquisa qualitativa, a interação entre o pesquisador e os sujeitos pesquisados é essencial.

Contudo, antes do pesquisador realizar o trabalho de campo, ele deve estar subsidiado de referenciais teóricos e também de aspectos operacionais.

O campo da pesquisa social não é transparente e tanto o pesquisador como os seus interlocutores e observadores interferem no conhecimento da realidade. Por isso, a pesquisa social nunca é neutra.

2 ENTREVISTA COMO TÉCNICA PRIVILEGIADA DE COMUNICAÇÃO

Entrevista, tomada no sentido amplo de comunicação verbal, e no sentido restrito de coleta de informações sobre determinado tema científico, é a estratégia mais usada no processo de trabalho de campo. Ela tem o objetivo de construir informações pertinentes para um objeto de pesquisa, sendo abordado pelo entrevistador.

As entrevistas podem ser classificadas em: a) sondagem de opinião; b) semiestruturada; c) aberta ou em profundidade; d) focalizada; e) projetiva.

A entrevista como fonte de informação pode nos fornecer dados secundários e primários.

A entrevista, quando analisada, precisa incorporar o contexto de sua produção e, sempre que possível, ser acompanhada e complementada por informações provenientes de observação participante.

Além da entrevista individual, uma técnica cada vez mais usada no trabalho de campo qualitativo é a dos grupos focais que consistem em reuniões com um pequeno número de interlocutores (seis a doze). A técnica exige a presença de um animador e de um relator.

Quanto ao registro, ele deve ser fidedigno, e se possível “ao pé da letra”. Contudo, o registro em toda a sua integridade precisa do consentimento dos interlocutores. Tudo deve ser mantido no anonimato.

3 OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE

Define-se como observação participante como um processo pelo qual um pesquisador se coloca como observador de uma situação social, com a finalidade de realizar uma investigação científica.

A filosofia que fundamenta a observação participante é a necessidade que todo pesquisador social tem de relativizar o espaço social de onde provem, aprendendo a se colocar no lugar do outro.

O principal instrumento de trabalho de observação é o chamado diário de campo.

4 CONSOLIDAÇÃO DO TRABALHO DE CAMPO

No campo, assim como durante todas as etapas da pesquisa, tudo merece ser entendido como fenômeno social e historicamente condicionado: o objeto investigado, as pessoas concretas implicadas na atividade, o pesquisador e seu sistema de representações teórico-ideológicas, as técnicas de pesquisa e todo o conjunto de relações interpessoais e de comunicação simbólica.

O pesquisador nunca deve buscar ser reconhecido como igual. O próprio entrevistado espera dele uma diferenciação, uma delimitação do próprio espaço, embora sem pedantismos, segredos e mistérios. O trabalho de campo é em si um momento relacional, específico e prático.

O trabalho de campo é, portanto, uma porta de entrada para o novo, sem, contudo, apresentar-nos essa novidade claramente. São as perguntas que fazemos para a realidade, a partir da teoria que apresentamos e dos conceitos transformados em tópicos de pesquisa que nos fornecerão a grade ou a perspectiva de observação e de compreensão.

CAPÍTULO 4: ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS DE PESQUISA QUALITATIVA

Romeu Gomes

1 INICIANDO NOSSA CONVERSA

Ao analisar e interpretar informações geradas por uma pesquisa qualitativa, devemos caminhar tanto na direção do que é homogêneo quanto no que se diferencia dentro de um meio social.

Na descrição as opiniões dos informantes são apresentadas da maneira mais fiel possível, como se os dados falassem por si próprios; na análise o propósito é ir além do descrito, fazendo uma decomposição dos dados e buscando as relações entre partes que foram decompostas e, por último, na interpretação – que pode ser feita após a análise ou após a descrição – busca-se sentidos das falas e das ações para se chegar a uma compreensão ou explicação que vão além do descrito e analisado.

Feitas essas observações, são apresentadas orientações sobre duas formas metodológicas para realizar a análise e interpretação de dados, que são: Análise de Conteúdo e o Método de Interpretação de Sentidos.

2 ANÁLISE DE CONTEÚDO: HISTÓRIA E CONCEITUAÇÃO

A Análise de conteúdo surgiu no início do século XX, num cenário em que predominava o behaviorismo.

A estratégia de análise de conteúdo – que passou por várias formas de efetivação ao longo do século passado – inicialmente era concebida a partir de uma perspectiva quantitativa.

Após a primeira metade do século passado, observamos muitas controvérsias sobre a técnica propriamente dita, seu grau de cientificidade e sobre sua eficácia. As discussões dividiram teóricos e pesquisadores, entre os que defendiam a perspectiva quantitativa da técnica e os que defendiam a perspectiva qualitativa. Contudo, alguns autores também buscavam uma conciliação dos termos.

A história da análise de conteúdo se encontra muito bem sistematizada por Bardin (1979). O uso da análise de conteúdo é bastante variado. Bardin (1979) menciona a análise de conteúdo como um conjunto de técnicas, indicando que há várias maneiras para analisar conteúdos de materiais de pesquisa. Destacam-se: a) análise de avaliação ou análise representacional; b) análise de expressão; c) análise de enunciação; d) análise temática.

Unidades de registro e unidades de contexto

Pode-se optar por vários tipos de unidades de registro para analisar o conteúdo de uma mensagem.

Além das unidades de registros, numa análise de conteúdo de mensagens, faz-se necessário definirmos as análises de contexto, situando uma referência mais ampla para a comunicação.

Procedimentos metodológicos

Dentre os procedimentos metodológicos da análise de conteúdo utilizados a partir da perspectiva qualitativa (de forma exclusiva ou não), são destacados os seguintes: categorização, inferência, descrição e interpretação. Esses procedimentos necessariamente não ocorrem de forma sequencial.

O caminho a ser seguido pelo pesquisador vai depender dos propósitos da pesquisa, do objeto de estudo, da natureza do material disponível e da perspectiva teórica por ele adotada.

Nesse cenário, na visão de Bardin (1979), pode-se considerar a categorização como “uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com critérios previamente definidos. As categorias são rubricadas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registro) sob um título genérico”.

As categorias devem ser: a) exaustivas; b) exclusivas; c) concretas; d) adequadas. As categorizações podem partir de vários critérios: semânticos; sintáticos; léxicos; expressivos.

Outro procedimento importante é a inferência. Contudo, se o pesquisador não tiver um conhecimento sobre o contexto do material a ser analisado e se não formular perguntas baseadas em estudos ou experiências prévias com o assunto, dificilmente conseguirá fazer inferências de seus achados de pesquisa.

Por último, se tem a interpretação. Com esse procedimento é procurado ir além do material. Chega-se a uma interpretação quando é conseguido realizar uma síntese entre: as questões da pesquisa: os resultados obtidos a partir da análise do material coletado, as inferências realizadas e a perspectiva teórica adotada.

Trajetória da análise de conteúdo temática

Mostra que inicialmente, é feita uma leitura de primeiro plano para atingir os níveis mais profundos. Nesse momento, deixa-se impregnar pelo conteúdo do material. Na segunda etapa, realiza-se uma exploração do material. Trata-se aqui da análise propriamente dita. Como etapa final, é elaborada uma síntese interpretativa através de uma redação que possa dialogar temas como objetivos, questões e pressupostos da pesquisa.

3 EXEMPLO DE ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE CONTEÚDOS

Ilustram-se passos da técnica de análise de conteúdo temático. Trata-se de uma tentativa de concretizar conceitos ou ideias que, para quem está iniciando no ofício da pesquisa, são abstratos de seu campo perceptivo.

4 BASES DO MÉTODO

Bruyne et al. (1991) situam o método para além da técnica. Um método envolve quatro polos: a) epistemológico; b) teórico; c) morfológico; d) técnico.

A proposta de interpretação de dados de pesquisa qualitativa – aqui denominada de Método de Interpretação de Sentidos – trata de uma perspectiva das correntes compreensivas das ciências sociais (GOMES et al., 2005). Para efeito desta analise, destacam-se duas concepções. A Interpretação da cultura sistematizada por Clifford Geertz (1989) e o diálogo entre as concepções: Hermenêutica e Dialética.

5 CAMINHOS PARA A INTERPRETAÇÃO

A trajetória analítico-interpretativa não são excludentes, nem sequenciais, podendo haver uma interpenetração entre elas. No limiar destes caminhos são favorecidos: Leitura compreensiva do material selecionado (Com essa etapa, busca-se, de um lado, ter uma visão de conjunto e, de outro, apreender as particularidades do material. Podem-se adotar várias classificações para distribuir o material da pesquisa. Duas delas são as mais comuns: por segmentos de atores, de ações ou de depoimentos da pesquisa e por gênero dos atores); Exploração do material (É de fundamental importância ser capaz de ir além das falas e dos fatos ou, em outras palavras, caminharmos na direção do que está explícito para o que é implícito, do revelado para o velado, do texto para o subtexto); Elaboração de síntese interpretativa (Nesta procura-se caminhar na direção de uma síntese. Para que se tenha êxito nessa síntese interpretativa devemos principalmente fazer uma articulação entre os objetivos do estudo, a base teórica adotada e os dados empíricos).

6 EXEMPLO DE INTERPRETAÇÃO DE SENTIDOS

As etapas do método de interpretação de sentidos partem de depoimentos de uma pesquisa (GOMES, 2004), observando os seguintes aspectos: a) Primeira etapa (foi feita uma leitura compreensiva, visando a: impregnação dos depoimentos; visão de conjunto; e apreensão das particularidades do material da pesquisa original. após a leitura, identificaram-se os temas); Segunda etapa (com base na estrutura de análise montada por temáticas, recortamos trechos de depoimentos e neles identificamos as ideias explícitas e implícitas); Terceira etapa (buscaram-se sentidos mais amplos que articulam modelos subjacentes às ideias).

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A primeira vista, a Análise de conteúdo e o Método de Interpretação de Sentidos são duas propostas de pesquisas qualitativas que podem ser vistas como parecidas. Contudo, não se pode fazer um olhar apressado em relação a ambas.

Mostra-se que para obter um maior domínio da Análise de conteúdo, é importante destacar como referências os textos de Bardin (1979) e Bauer (2002). Já no que se refere ao Método de Interpretação de Sentidos, destacam-se os textos de Minayo (2006) e Gomes et al. (2005).

CAPÍTULO 5 – CONSIDERAÇÕES DO RESENHISTA

No contexto das observações, serão feitas considerações que girarão em torno da formação e vivências acadêmicas dos autores e das suas contribuições frente à “pesquisa social: teoria, método e criatividade”.

Do ponto de vista formacional, os três autores, respectivamente: Maria Cecília de Souza Minayo, Suely Ferreira Deslandes e Romeu Gomes tem intimas relações acadêmicas. Todos tem formação no campo das ciências sociais com atuação notória em saúde pública. Outro destaque que deve ser feito é que os autores tem envolvimento direto com pesquisas e métodos qualitativos, daí a importância empregada a temática em questão. Face ao que foi postulado pelos autores na pesquisa vigente, no teor deste documento são vistas considerações e caracterizações sobre os capítulos: 1) Desafio da pesquisa; 2) O Projeto de pesquisa como exercício científico e artesanato intelectual; 3) Trabalho de campo: contexto de observação, interação e descoberta; 4) Análise e interpretação de dados de pesquisa qualitativa.

No primeiro capítulo é possível observar que “o desafio da pesquisa” qualitativa está diretamente relacionado às ciências sociais onde se utiliza de investigações que contemplem o dinamismo da vida individual e coletiva com toda a sua riqueza. Para isso devem ser valorizados os motivos, as aspirações, as crenças, os valores e atitudes. Nessa relação esta metodologia que valoriza as questões qualitativas, além de uma técnica, uma ferramenta capaz de articular a teoria com a realidade. Nesse cenário a autora observa uma pesquisa qualitativa que lança mão de abordagens metodológicas como: a) Positivismo; b) Objetividade; c) Compreensivismo; d) Marxismo. Entretanto, é importante salientar que devem ser feitas algumas ressalvas, primeiro quanto ao positivismo por ter como característica básica, aspectos matemáticos de análise e em segundo, ao marxismo que traz uma abordagem que em alguns aspectos, torna-se limitada enquanto aplicação e cobertura.

Ao segundo capítulo destaca-se o projeto como um artefato intencionalmente criado para analisar e/ou resolver um problema. Traz consigo dimensões significantes que faz do projeto uma cartografia metodológica para abordar uma dada realidade. Desta forma, a autora informa que o projeto ajuda a mapear e esclarecer a que caminho seguir, contudo, o mesmo não pode ferir a ética, especialmente o plágio, a fraude e o desrespeito ao anonimato.

No capítulo três, a autora chama a atenção para uma pesquisa social que deve ser nula, pois é visto que tanto o pesquisador como os seus interlocutores interferem no contexto a qual a investigação está ocorrendo. Um segundo aspecto que é importante frisar é como são empregados procedimentos aos grupos focais. E um amplo processo coletivo e democrático de construção. Muito próximo a isto, esta a observação participante, que traz um diferente olhar para tratar das construções investigativas, onde busca fazer com que o pesquisador social, quando estiver em campo possa, “aprender a se colocar no lugar do outro”. Isto é significante numa relação de “via dupla” onde um é dependente do outro e que na convivência do pesquisador com o seu fenômeno ou objeto, o mesmo possa fazer do seu trabalho de campo, “uma porta de entrada para o novo”.

No quarto e último capítulo, que trata da análise e interpretação é possível visualizar num primeiro momento, uma diferencial contribuição da analise de construção para pesquisa social e para Ciência da Informação (C.I.), principalmente quando esta análise trata da questão “temática”, discussão interdisciplinar muito presente e próxima da organização da informação e representação temática, disciplina estratégica para C.I. Contudo, quando o autor trata dos procedimentos metodológicos, o mesmo cita “categorização, inferência, descrição e interpretação”, mas em nenhum momento o termo “descrição” é tratado ou discorrido. O termo fica subutilizado no processo, enquanto procedimento metodológico. Já no que diz respeito a interpretação de sentidos, chama a atenção a forma como são definidas as etapas. Cria-se um encadeamento lógico de tal forma que se consegue perceber uma análise do explícito e do implícito fazendo com que se compreenda que o “método vai para além da técnica”. Por fim, é possível considerar que a pesquisa social proporciona ser um grande campo metodológico a ser percorrido e utilizado. O pesquisador social tem sobre suas mãos uma infinidade de possibilidades metodológicas a seu favor para produzir uma investigação capaz de gerar frutos e contributos significativos para “fazer ciência”, possibilitando assim, inovação científica para o desenvolvimento social e transformação humana a partir de novas ações metodológicas.

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